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Arte
Celine Chat desbrava os navios do mundo
Fascinada pelas formas antigas e simbologia dos navios em ruínas,
artista encontrou nas areias do globo inspiração para seu trabalho
| Arte de Celine em navio encalhado em Plestin-les-Greves, na França. Foto: Celine Chat / Divulgação |
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Entre os dias 14 e 21 de outubro, a artista francesa Celine Chat esteve na cidade francesa de Plestin-les-Greves por um motivo bastante peculiar: ela buscava navios abandonados, com o objetivo de realizar intervenções artísticas em suas carcaças.
Céline Chat, que à convite da ALMA SURF esteve no Brasil e participou do Festiv’Alma de 2007, junto aos artistas Donavon Frankenheiter, G-Love, Sean Davey, Jay Alders, entre outros, também assina participações em livros importantes, como “Surfeuses: A la Conquête dês Vagues, ” dos autores Emmanuelle Joly e Vicent Biard, publicado na França; e “Switch Foot, Surfing-Art-Music,” lançado na Austrália em 2008, com ilustrações de Harry Daily. Celine também é a autora da arte da capa da atual edição da revista Alma Surf (#65), uma linda pintura intitulada “Fresque Rose.”
Em um bate papo por e-mail, ela nos contou sobre sua paixão por navios abandonados e seu fascínio por seus simbolismos; suas experiências na França e também na Indonésia, onde pintou o seu primeiro navio e ainda, comentou a respeito da veia ambiental por trás de sua ação, o grave problema das Algas Verdes em Plestin-les-Greves. Confira abaixo:
Me fale um pouco sobre a atmosfera de Plestin-les-grèves e da experiência que você teve por lá.
O projeto começou quando falei a um amigo, o Loïc, da minha vontade de pintar navios abandonados pelo mundo. Ele então me convidou para me hospedar na casa de seus pais em Bretanha (noroeste da França) para explorar o lugar; que certamente abrigaria vários navios abandonados. Parti uma semana antes em busca de um navio para pintar.
Lá, fui muito bem acolhida. Descobri uma população que é orgulhosa de sua região, das lindas paisagens e também, dona de uma rica e forte cultura. Provei das deliciosas panquecas da região; surfei boas ondas... Tenho certeza que viver em uma atmosfera amigável e próximo à natureza tem, ao mesmo tempo, me inspirado no meu trabalho e oferecido as condições perfeitas para a realização desse projeto.
Quanto tempo você demorou para finalizar a pintura?
Demorei três dias para encontrar um navio que bateria com o meu projeto, e depois, dois dias para finalizar a pintura.
O que há de especial em fazer pinturas em navios abandonados?
Primeiro, devo falar que coisas velhas abandonadas são de grande inspiração para mim. Objetos abandonados são preenchidos com sua própria história. É algo desconhecido e portanto, misterioso. O que instiga minha imaginação. Abre o espaço para fantasias, das mais sórdidas e dramáticas às mais românticas e épicas.
Nesse caso do navio abandonado, o processo ganha uma dimensão maior, pelo significado dos destroços de um navio. Amor e respeito pelo oceano; uma boa ferramenta de trabalho; as viagens e aventura e liberdade, são alguns deles. Por outro lado, um navio é a máquina perfeita.
Também, as formas leves e arredondadas dos navios me lembram a hidrodinâmica e morfologia dos peixes e cetáceos, junto aos aspectos da superfície, queimados pelo sol ao longo dos anos; tudo isso oferece uma superfície muito inspiradora para pintar.
Pra finalizar, eu diria que não dá para ignorar a conotação negativa de “ruína”. Significa decadência, miséria, “escombros humanos”. Nos faz refletir a respeito da nossa fragilidade e nos lembra da nossa condição de meros mortais.
E qual a mensagem?
De algo positivo. Essa é a história de um encontro, uma troca minha com as pessoas, sua terra, sua cultura e também por isso, acaba se tornando em um trabalho efêmero.
Com o clima difícil que vivemos na França pela crise na Europa, acho que a arte tem um papel fundamental, como por exemplo, provocar indignação, chamar atenção para um problema, fazer alguém sonhar. Ao permitir que escapemos da rotina,ela nos traz o elemento surpresa, que nos faz questionar “porque será que alguém teria criado aquilo.”
No caso do navio de Plestin-les-Greves, uma das intenções era chamar a atenção das pessoas para o grave problema das algas verdes na região. Quis levar a arte a um lugar inesperado, longe das cidades e galerias; surpreender os mochileiros durante sua jornada. Com essa atitude, o navio abandonado não apenas se revela uma obra de arte, mas acende o debate a respeito do papel e do lugar da arte em nossa sociedade.
Qual é o problema, exatamente, da alga verde?
Em todo verão há mais de 40 anos, encontramos no solo de Breton toneladas de algas verdes, chamadas “marés de alga”. Essas algas, uma vez na areia, emitem gases tóxicos. Por causa das algas, a praia de Saint-Maurice Morieux teve de ser fechada. Também descobriram vários porcos do mato mortos na baía de Saint Brieuc.
É um problema conhecido há décadas, que recebeu muita atenção da mídia em 2008 e 2009, depois de uma série de acontecimentos: a morte de vários cachorros, um cavalo, o desconforto dos surfistas e a suspeita da morte de um motorista de caminhão que manipulou a alga verde. Vários fatos foram reportados: o desequilíbrio dos sistemas costeiros e a produção de grandes quantidades de nitrato na agricultura, por exemplo. Tendo em vista esses acontecimentos, o Estado, junto à cooperativas agricultoras e fazendeiros vêm trabalhando pesado para eliminar o problema. Hoje, observamos uma significativa melhora na qualidade dos rios em Britain, mas ainda não é suficiente. O problema está presente, já que um grande volume de algas verdes apareceu também nesse verão.
O navio na França foi o seu segundo. E o primeiro?
O primeiro navio abandonado que pintei foi na Indonésia, na praia de Lakey, na ilha de
Sumbawa. A ideia é o resultado da conjunção de dois eventos. Um deles, é a presença daquela carcaça de navio na praia, de frente para as ondas. Sua cor alaranjada, fruto da interação com a água salgada, e suas formas arredondadas, não que fosse feio, mas o navio oferecia uma cena de desolação e tristeza. O segundo, foi do desgosto que tivemos ao nos deparar com o line up revestido por pilhas de embalagens plásticas, garrafas e todos os tipos de lixos, que foram trazidos pela maré. Era uma segunda feira. No dia anterior, grande quantidade da população das cidades da região tinha ido à praia, realizar pic nics. Esses dois evento ficaram em minha cabeça e assim nasceu a ideia do “Bote Resgate”. Tanto que escrevi "Clean Love Surf" (Limpe Ame Surfe) no navio. A partir daí, minha intenção foi transformar um objeto inútil em um objeto com uma mensagem positiva, para sensibilizar as pessoas que moram próximo à praia da importância de manter a praia limpa. Também tento levar a arte a um lugar onde as pessoas menos esperam, para criar uma discussão, levantar questões.
Depois da Indonésia e França, quem sabe você poderia pintar um navio aqui no Brasil também...
Eu quero muito ir ao Brazil para pintar um navio. Primeiro, porque o Brasil é um lugar maravilhoso, mas também, eu vivi por momentos inesquecíveis no Festiv’Alma; conheci pessoas maravilhosas e descobri uma cultura linda. Isso é muito inspirado.
Em junho do ano que vem, realizarei uma grande exposição na França, mas depois eu teria mais tempo para pensar em outras coisas e, por que não visitar os meus amigos do Brasil? Isso poderia ser maravilhoso!
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What is so special aboput doing art in abandoned ship wrecks ?There are several reasons that "doing Art" on abandoned ship wrecks is very special to me. First of all, old and abandoned things are very inspiring to me. Abandoned objects are filled with their own story.
It is unknown for us and therefore mysterious. It's very exciting for my imagination. It leaves room for fantasies, from the most sordid and dramatic to the most romantic and epic.
In the case of an abandoned ship wreck, this process is enhanced because of what a ship wreck symbolizes.
Love and Ocean's respect, a good working tool, the travels, Adventure, Freedom, are some of them...In one way, it's a perfect dream machine.
In addition, the soft and rounded shapes of boats which remind me the hydrodynamic morphology of fishes and Cetaceans,added to the the surface's aspects, burned by sun and salt over the years, offers a very inspiring support to paint.
To finish, I would say that I can't ignore the negative connotation of "wreck". When it means "decadence", "ruins", "misery", "human wreck". It talks us about our own fragility and reminds us of our condition of mortal.
What is the message behind this action ?
The message behind this action is a positive message.This is the story of an encounter, an exchange between the people, the land, the culture and I, which turning into an ephemeral art work.
In the difficult climate of economic crisis we have in France, I think art has a vital role to play.
In the difficult climate of economic crisis we have in Europe, the art has, in my opinion, several vital roles to play: get indignant, Drawing attention to a problem, Make someone dream, in allowing us to escape of our daily lives and Surprise by creating an element of surprise which question us on the reasons why "someone did that."
By drawing attention on the important problem of green algae in the municipality of Plestin-les-Greves, by bringing art
where it is not expected, far from cities and galleries, and by surprising the hikers during their walk,the wreck of Plestin-les-Greves, not only plays its role as an Art work but also opens the debate on the place and role
of art in our contemporary society.
How long have you took to finish the Art work ?
It took me three days to find a shipwreck that could match my project and then two days to paint.
Tell me a bit about Plestin-les-grèves and how was your stay there.
This project began when I spoke of my desire to paint several wrecks around the world (for reasons I mentioned above)
to a friend named Loïc..
He then invited me to his parent's house in Britain (North west of France), to come and explore around, telling me that there were certainly several abandoned wrecks. His town of Plestin-les-Greves actually affected by the problem of green algae, perfectly matching my criteria, I left a week in search of a new wreck to paint.
I felt very welcome. I discovered a population proud of its region, beautiful sceneries as well as a very strong and interesting culture. I was fishing for shellfish when the tide goes out, I loved the famous "Breton pancakes," I surfed waves beautiful.
I am sure that living in a friendly atmosphere and close to nature, has, at the same time, inspired me in my work and offered me perfect conditions for the realization of this project.
in the mail you sent me you also said: "This painting is also intended to
draw attention to the common Plestin-les-Grèves, very touched by the problem
of green algae". Would you explain a bit more what's the main problem?
The Green Tide...
As every summer for 40 years, we find in the Breton soil of several tons of green algae called 'green tides'. These algae, once washed ashore, emit toxic gas.
The new features the center of the issue after the closure of the beach of Saint-Maurice Morieux (22) and the discovery of several dead wild boar in the Bay of Saint Brieuc.
Remember that this problem has been known for decades and has been highly publicized in 2008 and 2009 following several incidents: the death of several dogs, a horse, the rider discomfort and suspicion in the death of a truck driver manipulate the green algae.
Several sources were mentioned:
- Malfunction of coastal ecosystems (eutrophication)
- Intensive farming produces large amounts of nitrate allowed by the State
-Application of manure-Etc. ..
From these facts, the State, agricultural cooperatives and farmers are working to eliminate this problem and triesto find solutions.
Today, we observe that improves the quality of rivers in Britain, but that's not enough, the problem is still present,given the large volumes failed again this summer.
would you have photos from Indonesian ship too? When did you do this?
The first is located in Indonesia, on the beach of Lakey, on the island of Sumbawa in Indonesia.
This idea is the result of the conjuncture of two events.
The first is the presence of that survival ship wreck stranded
on the beach facing the wave. With its orange color faded by the salt and its rounded shapes,
the wreckage was not ugly
but she offered a scene of desolation and sadness.the second is the disgust that we had a morning line-up seeing a huge amount of plastic packaging, bottles, glass, plastic and
other wastes of all kinds, arrived with the tide. We were on Monday. The day before, much of the population of the surrounding towns had come picnic at the beach.
The idea is great if it was the tons of garbage left on the sand once they are gone ... These two events associate in my head and “Rescue Boat” was born. I'd write "Clean Love Surf". My intentions then was to turn a wreck that was useless in an object
with a positive message to sensitize people living near
the beach on the importance of keeping the beach clean. I also try to bring Art where we least expect it, surprise,
create discussion and questions.
hope you can come to Brazil and paint a ship wreck too (will include this question
so we can ask our readers help to find ship wrecks for you,
although i have one in mind)... if we find one, will you be able to come??!
I really want to come to Brazil to paint a wreck.
First, because Brazil is a wonderful country but also because I lived unforgettable moments at the festival FESTIVALMA,
met lovely people and discover a beautiful culture. Brazil has an incredible energy and a big heart. This is very inspiring.
I have a big exhibition on 300 m² in June 2012 so I will stay in France until then. But After this, I would have more
time and why not visit my Brazilian friends ? This could be great !
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